Não há um cenário definitivo na economia, por isso, é imprescindível acompanhar o processo a todo momento. A afirmação foi feita pelo chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, nesta quinta-feira, 24 de outubro, no Congresso Regional do Sicomércio – Edição Centro-Oeste.
Durante a palestra “Cenário econômico mundial e expectativas para o Brasil”, Carlos Thadeu falou da importância das pesquisas da CNC e das Federações do Comércio, fazendo esse acompanhamento do cenário econômico. “Os empresários do comércio de bens, serviços e turismo precisam ter ciência se vão precisar fazer estoques ou não, se precisam se preparar ou não”, afirmou.
Thadeu fez uma apresentação do cenário internacional, desde a crise econômica de 2008. Segundo ele, o Brasil fica dependente dessas movimentações desse cenário, sobretudo quanto à recuperação dos Estados Unidos. Houve uma fuga de capitais de outros países para os EUA, o que fez o dólar chegar a R$ 2,50 em maio. Além disso, o Banco Central americano investiu em estímulos para o consumo, o que aumentou as taxas de juros para os outros países. “Neste momento, vivemos uma trégua, com o dólar a R$ 2,17, pois esses estímulos cessaram em setembro”, explicou o chefe da Divisão Econômica da CNC.
No entanto, essa trégua pode acabar, caso a economia americana volte a apresentar recuperação mais constante e a taxa de juros aumente ainda mais. “Em 2008, o Brasil tinha muitas reservas e adotou medidas de incentivo ao consumo, o que fez com que ele não sentisse tanto os efeitos da crise. Agora, na saída da crise, o Brasil pode não ter o mesmo desempenho, porque conforme os EUA se recuperam, a taxa de juros americana sobe e a tendência é que o dinheiro que está aqui seja investido lá”.
O câmbio flutuante também aumenta as incertezas de empresários e consumidores. “A única coisa certa nesse ambiente é que as taxas de juros vão continuar pressionando. O crédito ficará mais difícil devido às taxas de juros”, disse Carlos Thadeu.
Para o futuro, Thadeu explica que não há catástrofes esperadas para o Brasil, pois ainda há fatores como emprego e massa salarial que estão em bons patamares. “Mas isso não quer dizer que estamos protegidos. Temos investimentos estrangeiros – sobretudo em petróleo, o que vai ajudar a minimizar a queda do real no futuro-, mas temos uma crise no investimento externo. 2014 precisará ser um ano de ajustes”, finalizou.
Fonte: CNC